Sexta-feira 13. 23h
Luceno estava na sacada pensando. Pensando sobre a vida , amores e dores, Dores que o impediam de respirar, de pensar de agir. Ele olhava as estrelas como se elas contessem as respostas que ele esperava. Ele foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vinho pela metade. Deu um gole direto do gargalo e se sentiu rebelde por fazer isso. Lembrou de uma carteira de cigarro, guardada no fundo de seu armário. Pegou, revirando tudo em volta.
Era como se a rebeldia de uma vida acabasse com pequenos atos. Pegou o livro que estava lendo, sentou na sacada , fumando e bebendo.
De repente sentiu algo estranho, a qual a tempo não sentia. Era esquisito não doía, não fazia mal. Era alegria. Começou a observar a fumaça que saia do cigarro.
Ela não era constante, dava voltas. A cada volta criava algo novo, renascia. Sim a fumaça que podia ser sinal de um fim , de algo queimando era um reinicio.
De vida nova. Lembrou do curso de francês que queria fazer. Lembrou dos lugares que queria conhecer. Lembrou das histórias que queria escrever. Lembrou , e conforme ia lembrando a fumaça ia aumentando, dando mais voltas , se embaraçando nela mesma.
Engraçado , a fumaça enquanto ele a observava , não se esvaziava.
Mas ele percebeu e sonhou que a vida era como a fumaça. Não podemos dar voltas demais, pq sempre acabamos no mesmo lugar.
Não podemos querer coisas demais senão nos enrolamos.
Mas ele tinha descobrido uma chance em algo tão remoto. Ele tinha decidido que, ao acordar iria caminhar , ver sua cidade, ver gente, sorrir sem motivo, isso era viver. Não ter motivos e aproveitar o ar. Sem se intoxicar com a fumaça
Luceno morreu aos 32 anos de causas naturais. Foi encontrado no sábado na sua sacada.
Carlos Eduardo Riegel
