Bateram na porta e eu abri, e sem dizer uma só palavra, ela entrou e me deu um forte tapa na cara. Assim, sem mais nem menos. É como se ela pudesse ver tudo que fui e que sou, e desacreditasse em tudo aquilo que eu quero ser.
Eu sentei e chorei, enquanto a maldita me olhava sem piedade, sem remorso. Chorei por tudo: descrença, incerteza, desanimo, cansaço… Senti falta daquele conselho de pai que não pude pedir, daquele abraço da mãe que está longe, da lambida do cão sábio. Senti saudade dos amigos pra me jurar que tudo ia ficar bem e dias melhores viriam.
Não adiantava gritar, eu não podia fugir, éramos eu e ela ali: frente a frente. Chorei pouco, um choro silencioso e cheio de dúvida. Não sei chorar, não sei!…
Acho que ela cansou de mim e foi embora, tão fria como quando me estapeou. Aquietei e respirei fundo, ergui a cabeça por não saber recuar. Os rastros dela nunca se apagam.
Ela vai voltar, e quando chegar eu direi: REALIDADE, sua maldita! Me recuso a te aceitar assim de qualquer jeito. Vá-te embora, agora tenho outra Realidade e você eu acabei de mudar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s