Cada Dia Mais Perto

Na verdade, com meus poucos grandes amigos (sempre os tive), conseguia ficar feliz; meus defeitos pareciam apenas pequenas distrações comparados à naturalidade e à facilidade da vida. Entretanto, meu sorriso era sufocante. Minha mente estava tomada por um carrossel dissonante de palavras que rodopiava constantemente em torno de humores e aromas, só ocasionalmente sendo convertido em minha voz ou em meus escritos. Eu não era muito boa quando se tratava de fatos.

 

Cada Dia Mais Perto, Irvin D. Yalom, Ginny Elkin.

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Formas de Voltar para Casa

“Agora penso que o melhor que fiz nestes anos foi beber muitíssima cerveja e reler alguns livros com devoção, com estranha fidelidade, como se neles pulsasse algo próprio, uma pista sobre o destino. De resto, ler morosamente, ficar deitado na cama por longas horas sem solucionar nunca a ardência nos olhos, é a desculpa perfeita para esperar a chegada da noite. E é isso que espero, nada mais: que a noite chegue logo.”

Alejandro Zambra, no livro Formas de Voltar para Casa.

“Não aceite coisas boas de pessoas más”.
Foi o que o pai de Malala disse a ela. Malala, a menina baleada pelo Talibã por lutar, lutar muito e sempre.
Se uma pessoa má te oferece uma coisa boa dentre tantas outras más que vieram e ainda virão, não cabe aceitar.
Aceitar é compactuar, é permitir que o mal entre e fazer com que se sinta confortável em permanecer.
Não aceite coisas boas de pessoas más, se não for uma coisa legitimamente boa.

O Dia do Curinga

“… — Nunca aconteceu a você de querer desenhar ou construir alguma coisa e não conseguir fazer isso direito? Você tenta mais uma vez, tenta outras vezes, mas nunca dá certo. Isso se explica pelo fato de que a imagem que você tem do que quer fazer é incomparavelmente superior às cópias a que você tenta dar forma com as mãos. E o mesmo ocorre com tudo o que vemos à nossa volta. Trazemos dentro de nós a noção de que tudo o que vemos à nossa volta poderia ser melhor do que é.”

Trecho de O Dia do Curinga, Jostein Gaarder.