sem querer falar, mas…

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Sei que vivemos em tempos de crise, e nem sequer pensei em economia.

São tempos de crise emocional, tempos em que reclamar é comum, está na moda, é completamente aceitável.  Reclamamos de tudo, por nada.

Questionamos o pobre que reclama da fome, nos queixamos por comer demais e sair da dieta. Reclamamos da sobriedade e da ressaca.  Da falta de emprego e demissões em massa, da nossa profissão, rotina, salário. Reclamamos por dormir de menos… também das horas perdidas ao dormir demais.

Reclamamos da superficialidade das redes sociais, mais ainda da lentidão das conexões e de nossos smartphones. Reclamamos do transporte público, dos nossos carros e das bicicletas. Reclamamos do sedentarismo e da preguiça de malhar.

Odiamos nossos corpos quando doentes e também quando saudáveis. Quando os cabelos estão armados, brancos e quando caem para não voltar.

Lamentamos a ausência dos amigos e inventamos desculpas para cancelar aquele reencontro. Ao mesmo tempo que lamentamos a distância, evitamos a proximidade.

Criticamos o caráter do amado que se foi, reclamamos dos planos frustrados de reaproximação. Questionamos aquele novo pretendente como se tivesse a obrigação de nos curar. Reclamamos do tédio e também daqueles que tomam alguma atitude.

Questionamos até nossas divindades e a demora em atender nossos pedidos, culpamos sempre os demônios por tudo que fizemos de mal.

Nosso “bom dia” é seguido de uma queixa qualquer. Aí de quem ousar só desejar um bom dia assim, por desejar. A gratidão agora é coisa de gente boba, aquela galerinha good vibes. Reclamar é normal, mesmo que seja só por reclamar e nunca mudar, nunca agir.

Nada está assim tão bom, longe de mim ser otimista nesses tempos doentes, mas a verdade seja dita: não há equilíbrio nessa reclamação infundada, nessa terceirização da própria satisfação, nessa lamúria sem fim.

Ninguém é obrigado a ser feliz, otimista e sorrir. Ninguém é obrigado a assumir a responsabilidade sobre si mesmo e tomar as rédeas da própria vida. Em contrapartida, ninguém é obrigado a aguentar lamúrias, conviver com dramas e ser ombro amigo. É que simplesmente não dá para semear pimenta e colher morango…

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sobre o feminismo

“Então, mais uma vez, machismo e feminismo não são as mesmas coisas, o primeiro é derivado direto da estrutura patriarcal com que foi moldado o nosso processo civilizatório, nossa cultura e o reflexo disto em hábitos e costumes que levam a opressão, espancamento, morte, escárnio, estupro, depreciação e não aceitação de tudo aquilo que foge aos padrões masculinos e heteronormativos. Já o feminismo é uma resposta a isto, um meio legitimo de auto defesa de um grupo historicamente oprimido. Não somos nós mulheres, lésbicas, degeneradas, trans, homos, que saímos em gangues espancando, estuprando e torturando pessoas dissidentes do padrão patriarcal. Isto quem faz são eles, que impregnam o mundo com uma cultura de ódio que só beneficia uma ínfima parcela da população, enquanto a maioria é incentivada pela ideologia machista a duelar entre si.”

 

Fonte: http://blogueirasfeministas.com/2014/02/carta-aberta-pagufunk-basta-de-ameacas/