SOBRE CARTAS RESPONDIDAS

SOBRE CARTAS RESPONDIDAS: compartilho aqui algo que precisava ler e, felizmente, li.

“Cara Anitta,

Era uma vez um rapaz que resolveu ir a uma festa para esquecer uma recente paixão. Ao chegar lá, ele conheceu outra moça e, na mesma noite, declarou-se a ela. Em menos de uma semana, eles se casaram, transaram uma única vez e se mataram. Para ser mais preciso, em apenas quatro dias. Pode até não parecer, mas acabo de lhe contar, de modo bastante realista, o enredo de Romeu e Julieta. Aquela que, para muitos, ainda hoje, é a maior história de amor de todos os tempos.

Desde o início deste projeto, nunca recebi uma carta tão consciente e lúcida quanto a que você me escreveu. Na verdade, tudo o que você procura está nela, entre uma palavra e outra. Ao se autodefinir com tanta honestidade como uma exagerada, você demonstra ter plena consciência do enorme abismo que há entre o amor clássico e o romântico. Ou seja, entre o que é genuíno e o que é inventado, como você mesma colocou.

Sinto muito pelo que lhe aconteceu, minha cara. Ficou claro para mim que, apesar de sempre ter apostado no ideal romântico, desta vez, você procurou um amor possível. Aquele que costuma nascer de uma parceria concreta, e não de uma mudança de status no Facebook. No entanto, ao que tudo indica, o homem pelo qual você criou algo está atrás do produto final. Em vez de fabricar a própria verdade, ele prefere comprá-la pronta.

Em resposta ao que você me perguntou, devo lhe dizer que eu ainda acredito na existência do amor real, sim. Porém, estou certo de que ele se encontra bem longe da idealização e da perfeição, como já disse aqui antes. Não se trata de um impulso ou algo sobrenatural. “Eu nunca mais vou respirar se você não me notar”, diz a música. “Eu posso até morrer de fome se você não me amar.” Para mim, isso é loucura, e só gera ansiedade e sofrimento.

Por favor, não me veja como um amargurado, Anitta. É justamente o contrário. Estou convencido de que há um ponto de equilíbrio entre o amor clássico e o ideal romântico. Não desista de encontrá-lo. Entretanto, você há de concordar que, desde Shakespeare, a nossa balança anda um pouco desregulada, não é mesmo? O que me incomoda, portanto, de forma alguma é a exaltação da arte, mas a negação da vida.

Um grande abraço,

Estranho”

Para conhecer esse Estranho maravilhoso, acesse http://www.caroestranho.com

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Acordei pensando em você

Acordei pensando em você. E em como as coisas foram injustas conosco, e no quão injustos fomos com as coisas. Agora que eu posso livremente dirigir pra qualquer lugar por horas a fio, você não vai mais comigo pra lugar algum. Agora que eu tenho aquela TV legal no quarto, você não se deita ao meu lado pra ver filmes e documentários. Agora que eu conheço mais MPB que antes, você não me namora e já nem posso encher tuas redes sociais de amor. Justo agora que eu aprendi a ser uma boa dona de casa, não teremos nosso apartamento. Porque agora, que eu tenho um emprego mais legal que meus estágios, você não está aqui pra se orgulhar de mim? Queria ir com você aos eventos sociais chatinhos, e te apresentar como a melhor parte de mim. Meu inglês melhorou, já poderíamos fazer aquele nosso intercâmbio que incluiria mil pubs irlandeses. E os shows? Nós iríamos a todos os shows, e colaríamos os ingressos num mural, junto com as fotos. Talvez todos os meus planos sejam mais completos com você. Eu vou continuar remando, vou continuar na busca incessante pelas coisas que eu quero e pelas coisas que eu ainda nem descobri, mas eu vou sempre me lembrar.

The Last Goodbye – Black Label Society

ChuckBerry!

 

Eu lembro como se fosse ontem, e não foi?! Nós nos conhecemos na faculdade. Você com seus inconfundíveis olhos “azuis-todos-adoram” e seu uniforme de auxiliar odontológica, e eu com meus tênis puídos, jeans surrados e camisetas estampadas com bandas de rock. Uma coisa era comum: estávamos ali para aprender, construir, sonhar… Dominar nosso mundo e agarrar o sucesso profissional. Não ficamos amigas assim, de imediato. Nunca vou me esquecer de uma bendita dinâmica de grupo na qual deveríamos nos apresentar aos colegas até então desconhecidos e dizer o que pensamos e sentimos em relação a eles… Nós nos olhamos, sorrimos e dissemos quase o mesmo a nosso respeito: você veio sabendo o que quer, pra evoluir. Daquele momento em diante, um laço foi estabelecido e não tardou muito para que nosso clube da Luluzinha fosse formado e nos tornássemos amigas. Não amigas, A.M.I.G.A.S! Fizemos trabalhos acadêmicos juntas, curtimos finais de semana, lamentamos nossos fracassos, comemoramos nossas conquistas. Bebemos litros de cerveja, comemos porções de batatinha frita e trocamos receitas saudáveis. Viajamos pra lugares legais, outros nem tanto. Fomos a shows inesquecíveis (Go, Gooooo Johnny, Go!) e para lugares sem graça (Hangar Bar vazio…). Você me ajudou nas mudanças tristes, como esvaziar o apartamento do meu pai, e nas felizes, quando fui pra Curitiba. Você é uma das pessoas que eu mais amo no mundo, e as coisas ficam melhores com sua amizade. Levando tudo isso em consideração, fica fácil saber o que eu te desejo nesse aniversário: TUDO! tudo de bom que eu quero pra mim, quero em dobro pra você. Quero ser sua amiga pra sempre (mesmo que o ” sempre” não exista), e te lembrar o quão valiosa você é.

 

Feliz Aniversário Amiga! Beijos.

 

PS: Gi e Carol, eu amo vocês! <3

Ao amigo Frederico

Já perdi muito nessa vida, todos perdem. Perder amigos seja talvez uma das perdas que eu mais sinta. Aqueles que acabei perdendo para a vida, não lamento, nem todos os caminhos podem permanecer cruzados para sempre, apenas sinto saudade. Aqueles que perdi para o mal, ou até mesmo para morte, são os que mais me doem, e nem sempre há consolo para a saudade quando ela carrega tanta dor.

Não importa que tipo de amigo é, amigo é amigo e ponto. Pouco importa a idade, a cor, o gênero, a espécie, o peso ou as posses. Se encheu teu coração de amor e te fez sentir vivo, é digno de amizade. Amizade que é companheirismo, é choro e sorriso, calor e frio, tempestade e calmaria. Como diria Vinícius: “E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos”.

 

Ao meu amigo cão, com quem dividi por escolha de ambos o mesmo teto, (quase) a mesma comida e o mesmo quintal, eu dediquei todo meu amor. Uns dizem que é tremendo exagero dedicar tanto a um mero animal, para esses eu só repito: “que sejam valorizadas todas as formas de amor, e condenado todo o mal”.

Sentirei muito sua falta.

 

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