Exagerada!

“Você sofre quando há partida, mas o sofrimento é imediato da perda de estima e não do objeto de desejo… Você gosta da arte da conquista, mas a ideia de segurança te assusta, assim como Holly Golightly, que não dava nome ao gato!” (RIEGEL, Carlos. 2015)

Não basta ser meu amigo, tem que me definir e misturar o clássico Bonequinha de Luxo! <3

Pra celebrar de vez a minha forma de amar: CAZUZA – EXAGERADO!

Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado…

Onze de setembro de 2015. Século XXI.

Ainda tem gente que acredita em tudo que lê, em tudo que vê, em tudo que ouve. Repete por aí, toma por verdade absoluta.

Ainda tem gente que leva mais a sério a vida alheia que a própria vida. Ainda se incomoda com a maneira como as pessoas escolhem viver, mesmo que isso não as afete.

Ainda tem gente cuja alegria se baseia na polêmica, na desgraça e na mentira.

Ainda tem gente que acredita que é boa gente.

sem querer falar, mas…

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Sei que vivemos em tempos de crise, e nem sequer pensei em economia.

São tempos de crise emocional, tempos em que reclamar é comum, está na moda, é completamente aceitável.  Reclamamos de tudo, por nada.

Questionamos o pobre que reclama da fome, nos queixamos por comer demais e sair da dieta. Reclamamos da sobriedade e da ressaca.  Da falta de emprego e demissões em massa, da nossa profissão, rotina, salário. Reclamamos por dormir de menos… também das horas perdidas ao dormir demais.

Reclamamos da superficialidade das redes sociais, mais ainda da lentidão das conexões e de nossos smartphones. Reclamamos do transporte público, dos nossos carros e das bicicletas. Reclamamos do sedentarismo e da preguiça de malhar.

Odiamos nossos corpos quando doentes e também quando saudáveis. Quando os cabelos estão armados, brancos e quando caem para não voltar.

Lamentamos a ausência dos amigos e inventamos desculpas para cancelar aquele reencontro. Ao mesmo tempo que lamentamos a distância, evitamos a proximidade.

Criticamos o caráter do amado que se foi, reclamamos dos planos frustrados de reaproximação. Questionamos aquele novo pretendente como se tivesse a obrigação de nos curar. Reclamamos do tédio e também daqueles que tomam alguma atitude.

Questionamos até nossas divindades e a demora em atender nossos pedidos, culpamos sempre os demônios por tudo que fizemos de mal.

Nosso “bom dia” é seguido de uma queixa qualquer. Aí de quem ousar só desejar um bom dia assim, por desejar. A gratidão agora é coisa de gente boba, aquela galerinha good vibes. Reclamar é normal, mesmo que seja só por reclamar e nunca mudar, nunca agir.

Nada está assim tão bom, longe de mim ser otimista nesses tempos doentes, mas a verdade seja dita: não há equilíbrio nessa reclamação infundada, nessa terceirização da própria satisfação, nessa lamúria sem fim.

Ninguém é obrigado a ser feliz, otimista e sorrir. Ninguém é obrigado a assumir a responsabilidade sobre si mesmo e tomar as rédeas da própria vida. Em contrapartida, ninguém é obrigado a aguentar lamúrias, conviver com dramas e ser ombro amigo. É que simplesmente não dá para semear pimenta e colher morango…

NÃO NAMORE SE NÃO AMA O RISO DA PESSOA

É preciso se apaixonar pelo riso do outro antes de namorar.

É preciso se apaixonar pela gargalhada antes do romance.

O riso é a brisa farfalhante do rosto. O sopro benfazejo. O recreio das linhas faciais.

É preciso se apaixonar pelo jeito que a pessoa sorri para as fotos, pelo modo como sorri de canto, de boca inteira, flertando o infinito.

Mais do que gostar do corpo ou do olhar, deliciar-se com o riso, maravilhar-se com o riso. O amor não vive em cinema mudo. O amor não vive de legendas. O riso é Espírito Santo: fala todas as línguas.

Não há como se envolver sem admirar o som do contentamento de nossa companhia, o timbre por detrás da risada.

O riso é decisivo. Não pode ser melhor do que a piada, nem reprimido como um resmungo.

Não pode ser histérico, muito menos desafinado.

Assim como não se ri olhando para o chão, o riso é o reverso do choro, altivo, otimista, levanta o queixo, bebemos o ar no gargalo do céu.

O riso é a música que cada um traz da orquestra de seu pulmão, desde quando fugia das cócegas de bebê, desde quando se escondia em pilares para receber o susto dos adultos.

O riso é a voz mais pura, determina como gememos ou sussurramos.

Cada um ri como um instrumento. Meu riso é do tambor. Rufadas de risos. Rio alto. Há também o riso safado de tamborim, o riso sensual do saxofone, o riso sério do trompete, o riso lânguido do violoncelo, o riso triste do violino. Nunca se fez um coral de risos, mas que bonito seria compor agudos e graves somente de sorrisos.

Ame o riso do seu amor, para ter vontade de fazê-lo feliz. Do contrário, fará de tudo para que seu par seja triste.

FABRÍCIO CARPINEJAR <3